Peças de barro geram renda e promovem cultura em Matureia

A variedade das peças é grande
O barro, elemento comum e, muitas vezes, considerado grosseiro, quando trabalhado por mãos hábeis e criativas pode transformar-se nas mais belas e delicadas peças, que retratam a riqueza cultural e contribuem para a melhoria de vida daqueles que dependem desta arte.

Em Matureia, no sertão paraibano, uma Associação de Louceiras foi fundada em 2005, após a realização de cursos de artesanato. Atualmente, 12 artesãos fazem da produção de peças de barro, uma fonte de renda e um caminho para a divulgação da cultura do município. A cada ano, o grupo ganha novos integrantes.

Em um galpão no centro da cidade, os associados criam peças das mais diversas, que são mantidas em exposição para venda. Além de serem encaminhadas às feiras das cidades de Patos e João Pessoa, na Paraíba. O artesão tem direito a 90% da renda obtida em cada peça produzida, que pode variar entre R$10,00 e R$150,00, o restante é utilizado na manutenção da associação. Josicleide Melo Firmino, 25 anos, está associada desde 2007. Ela participou de um curso no qual o barro era trabalhado com o auxílio de um equipamento chamado torno e apaixonou-se pela arte. Desde então passou a produzir louças, objetos de decoração, utensílios para banheiro, entre outras peças. A arte, além de compor sua renda, também é vista como um passa tempo para a jovem “Quando estou criando as peças de barro, esqueço do mundo. Parece que não vejo o tempo passar. Enquanto estamos trabalhando, não lembramos dos nossos problemas”, comenta.

Passo a Passo

O barro utilizado na produção das peças é fornecido por um fazendeiro do Sítio Carrasco, localizado na comunidade Santo Aleixo, em Matureia.

Ao chegar à associação, o barro é quebrado, moído e peneirado, depois a massa é umedecida e fica pronta para a utilização.Muitas peças são moldadas à mão, mas também é utilizado no processo o torno, construído de forma artesanal. Enquanto gira, o barro ganha forma nas mãos da artesã.

A peça que já passou por um processo de descanso, é lixada, depois molhada, e lixada novamente, desta vez com uma pedra polida. Em seguida é revestida com uma camada de óleo de cozinha. Depois de seca, a peça é queimada em um forno próprio durante cinco horas.

Pernambuco

Em Brejinho, no Sertão do estado, um grupo de mulheres descobriu no barro a principal fonte de renda de suas famílias. Em 2007, surgiu às margens da PE 275, rodovia que liga Pernambuco a Paraíba, o Grupo de Mulheres Art’s Barro. Um espaço onde mulheres produzem e comercializam peças de barro.

Tudo começou quando estas donas de casa tiveram a oportunidade de participar de um curso de artesanato em cerâmica, oferecido pela Prefeitura de Brejinho. No total, 16 mulheres fizeram o curso.

De acordo com Maria do Desterro Alves, 34 anos, líder do grupo, pelo menos seis famílias vivem da arte do barro na cidade. As mulheres não tem renda fixa, ganham por produção. Os lucros já cresceram significativamente, desde a criação do grupo de artesãs. “Começamos o trabalho ganhando R$ 10,00 por mês, agora cada mulher recebe cerca de R$ 250,00”, disse a líder.

Texto: Jéssica Freitas / Jean Philippe
Fotos: Jean Philippe

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