O jornalista é, acima de qualquer técnica, um pensador. Mas torna-se necessário justificar a afirmativa e colocar os “pingos nos is”. Quando falo de jornalista, não me refiro àqueles que ocupam um lugar na mídia simplesmente, mas aqueles que abraçaram o ofício com amor porque sem ele não há como sobreviver.
Sem exageros e vaidades essa profissão vai além do produto que gera, nesse caso, a notícia. Não basta apenas estar no lugar certo e na hora certa, é preciso ter sensibilidade no meio da multidão e saber para onde olhar, procurar a pessoa certa para ouvir e formular as perguntas rapidamente porque em questão de segundos a cena se esvanece.
Não é para qualquer um ultrapassar essa etapa, que é a primeira de uma longa caminhada. Quando o jornalista faz o percurso de volta para redigir sua matéria, traz consigo os detalhes que conseguiu capturar e vai esquadrinhando mentalmente aquilo que fará a diferença em seu trabalho. Quando nos sentimos satisfeitos com determinado texto é porque quem o escreveu foi além da técnica. O verdadeiro jornalista escreve, reescreve e revisa antes de publicar a notícia, e durante todo esse processo pensa carinhosamente no seu leitor.
O mundo da informação é dinâmico e o jornalista convive diariamente com a exigência de seu público que é heterogêneo por demais. Ele não pode simplesmente derramar sobre o papel aquilo que viu e ouviu porque não estaria cumprindo seu papel de comunicador.
Não basta ser lido, ouvido ou visto é preciso ser compreendido naquilo que se pretende repassar. Não basta saber que algo aconteceu é preciso ter a sensação de que se estava lá, no meio da confusão ou da euforia, sentindo o horror ou a felicidade do fato noticiado. Mas não se deve esquecer que a luta do jornalista é diária porque amanhã sua notícia está fria, quase congelando.
O técnico da notícia exige uma parafernália sem tamanho para ser quem é sem saber talvez, que o avanço tecnológico das mídias proporciona rapidez, mas não traz eficiência. Na prática, o importante não é a câmera, é o ângulo perfeito que se observa, não é o computador que faz a diferença na produção de um texto, mas a criatividade, mesmo que tenha sido escrito em um bloquinho de papel. Já o jornalista meus amigos, tem acima de tudo isso, uma mente pensante porque a essência dessa profissão nunca muda.
Denísia de Oliveira
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