Jornalista em cima do muro decepciona o público em palestra


Foi realizada no último domingo, dia 4 de outubro, no Espaço Cultural, em João Pessoa, uma palestra com o tema “Empreendedorismo nas Profissões”. A atividade fazia parte da programação da Feira do Empreendedor, evento organizado pelo Sebrae Paraíba.


“É a palestra mais aguardada. É importante para nós estudantes de jornalismo, pela qualificação do ministrante, e acho que será muito importante, também, com relação ao nosso futuro profissional. Poderemos ter acesso a como saber avaliar nossos projetos empreendedores dentro da área de comunicação”.

“Buscamos nesse evento a junção do jornalismo com o empreendedorismo. A veia empreendedora serve para que o aluno, futuro profissional, não espere pela oportunidade, mas que ele crie”.

As duas falas expostas acima são, respectivamente, do aluno do 5º período do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo das Faculdades Integradas de Patos (FIP), Igor Nóbrega, e da professora especialista em Assessoria de Comunicação, da mesma instituição, Josiane Carla. Diante dessas duas frases, fica perceptível que a expectativa depositada na palestra Empreendedorismo nas Profissões, ministrada pelo jornalista da Rede Globo de Televisão, Caco Barcelos, era positiva. Porém, o desfecho não foi dos mais agradáveis.

O jornalista Caco Barcelos, durante exposição feita naquela que seria uma luz para os acadêmicos que pensam em investir no mercado informacional, não focou o tema principal, que era o empreendedorismo, e, como se já não bastasse a decepção, afirmou, após exibir alguns trechos do programa Profissão Repórter – do qual ele é editor-, que não tinha convicção a respeito da obrigatoriedade do diploma. “Não tenho tanta certeza da necessidade do diploma. Sou formado, mas hoje com a internet, a informação corre mais rápida e qualquer pessoa pode ser agente informante dos fatos através de blogs”, explicou a posição.

Questionada sobre a resposta de Caco Barcelos frente à obrigatoriedade do diploma para jornalista, a acadêmica do 6º período do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo das FIP, Kamyla Lopes, foi enfática. “É decepcionante! Mas pelo menos nós alunos pesquisadores podemos, diante disso, comprovar que manter sob domínio os conteúdos produzidos e expostos, amarrando o profissional jornalista à necessidade de um emprego, é a política da Rede Globo. E para confirmar eu pergunto: Como é que um jornalista ‘linha de frente’ da emissora, como ele é, pode afirmar algo desse tipo? Cadê a responsabilidade com o fazer da profissão? Ele, que é tido como um bom jornalista, deveria saber disso”, desabafa.

Explicando sua indignação, Kamyla Lopes vai mais além. “Pensam que somos imbecis e não sabemos a diferença entre liberdade de expressão e fazer jornalístico. A internet é apenas mais um meio de sociabilidade, de conversas mesmo. Da mesma forma que escrevo em um papel, escrevo em um blog, só muda o substrato. Saber falar o que penso, saber expor minhas ideias não me qualifica enquanto jornalista. Eu também sei me defender e, sendo assim, quero por fim ao diploma de direito”, ironiza.

Já o estudante Igor Nóbrega, que tanto apostava na palestra, dispara: “Ele veio aqui apenas fazer marketing pessoal e mostrar o que já vemos na TV todas as terças-feiras, o ‘Profissão Repórter’. Nada mais”, comenta.

Por Gilclécio Lucena

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