A homossexualidade existe desde que o mundo é mundo
Por Natália Rebeca - 6º Período
Atualmente, a questão homossexual vem ganhando bastante espaço. Na TV, nas grandes paradas ao ar livre e nas conversas do dia-a-dia a figura do homossexual está freqüente em qualquer parte da sociedade.
Nos tempos antigos as relações sexuais não eram diferenciadas por meio dos que optavam pelos hábitos homo ou heterossexuais.
Na Grécia, por exemplo, o envolvimento entre pessoas do mesmo sexo chegava, em certos casos, a ter uma função pedagógica.
Na Grécia, por exemplo, o envolvimento entre pessoas do mesmo sexo chegava, em certos casos, a ter uma função pedagógica.
Na Cidade-Estado de Atenas, os filósofos colocavam o envolvimento sexual com seus aprendizes como um importante instrumento pelo qual se envolviam as afinidades afetivas e intelectuais de ambos. Entre os 12 e os 18 anos de idade o aprendiz tinha relações com seu tutor, desde que ele e os pais do menino aceitassem com tal ato. Já em Roma, havia distinções onde a relação que ocorre entre o homem e um menino, era mais encarada com bons olhos.
A compreensão sobre o ato homossexual foi ganhando novas aparências. O cristianismo trouxe consigo a idéia de que o sexo entre iguais seria pecado. Dessa forma, desde o final do Império Romano, várias ações de reis e sacerdotes tentaram eliminar a homossexualidade. Ainda assim – ao longo da Idade Moderna – tivemos vários relatos de representantes da nobreza que tiveram casos com parceiros e parceiras do mesmo sexo.
No século XIX, com a efervescência das teorias biológicas, cientistas queriam dar uma explicação para o homossexualismo. No século XX, foi declarada como uma solução cirúrgica para quem quisesse se “livrar” do hábito, essa prática se refere a uma cirurgia no cérebro que foi usada no passado em casos graves de esquizofrenia e que consiste em cortar as ligações de qualquer lobo cerebral. Nesse mesmo período, diversos grupos lutaram pelo fim da discriminação e a abolição da classificação científica que designa homossexualidade como doença.
Mesmo que ainda o tema cause muito preconceito e levante tabu entre as pessoas, devemos perceber que a identidade sexual não pode ser vista como um dado a ser controlado por alguém ou por alguma instituição. Antes de qualquer justificativa, seja contra ou a favor dos homossexuais, devemos colocar o respeito ao outro como princípio máximo dessa questão.
Homossexualidade: “Não é opção nem doença”
Muitas pessoas acreditam que a homossexualidade é, simplesmente, um comportamento que muitos escolhem colocar para fora. Outros indivíduos acreditam que a homossexualidade é uma das três orientações sexuais normais, ou seja, o indivíduo simplesmente é, não opta.
A partir do momento em que o indivíduo se aceita e percebe que a homossexualidade faz parte de sua natureza, este sofrimento íntimo acaba. O que não acaba é a dor da rejeição que ocorre muitas vezes, com as pessoas à sua volta, e não um problema de auto-aceitação.
Se a pessoa não vê por que razão não possa viver os seus sentimentos e a sua sexualidade particular do mesmo modo que a restante população, então não existe nenhum conflito ou motivo para esta não ser tão feliz e bem sucedida como os restantes indivíduos, não se colocando assim o problema da mudança sexual. Para o estudante de Jornalismo 7º período das Faculdades Integradas de Patos, Gilclécio Lucena, “a homossexualidade não é opção, porque a gente não escolhe e esconder a homossexualidade é uma forma de defesa, porque ninguém quer sofrer”.
Considerando que a homossexualidade não é uma doença ou desordem mental e psicológica, não pode ser "curada". Não se trata de cura, pois a homossexualidade é orientação. Não é opção nem doença.
Há relatos de grupos médicos que tentam modificar a orientação sexual das pessoas através de terapia, mas ao invés de ajudarem, correm o risco de causar sérios danos psicológicos nestes indivíduos. Em entrevista a Revista Veja datada em 12 de agosto de 2009, a psicóloga Rosângela Alves Justino, considera a homossexualidade como um transtorno para o qual oferece terapia de cura. “As pessoas me procuram para alterar a orientação sexual homossexual são aquelas que estão insatisfeitas”, diz a psicóloga. O que este indivíduo necessita é de amparo, aconselhamento positivo, e não a negação de seu ser.
“Enquanto homossexual assumido, a dica que fica é de que apesar de ter essa postura, começar a respeitar as pessoas que ainda não conseguem tê-la é muito difícil, que é você quebrar essa barreira do outro, a da aceitação. A gente tem que se preocupar sempre com a reação do outro”, relata o estudante Gilclécio Lucena.
Associação da Parada LGBT de SP ganha assistência jurídica – 2010
A Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), com intuito de defender e combater a discriminação e os preconceitos enfrentados por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, fechou parceria inédita com o escritório Lessi e Advogados Associados. O acordo visa atender mensalmente de forma gratuita os associados da APOGLBT e demais pessoas que procuram pelos serviços da entidade. A iniciativa partiu do presidente do escritório, Dr. Pedro Lessi, que representa vários casos de discriminação por orientação sexual.
O Dr. Lessi explica que a “parceria representa para a sociedade que o respeito à orientação sexual é um direito fundamental e uma garantia individual do ser humano”. A partir de agora, desde questões contratuais menores, como desrespeito ao uso da logomarca da APOGLBT, até questões de repercussão nacional, como ofensas públicas à população LGBT, poderão ser objeto de representação jurídica.
Para o presidente da APOGLBT, Alexandre Santos, o Xande, “esta parceria abre a possibilidade dos LGBT terem acesso à Justiça, pois o escritório vai atender a todas as ações que a Associação precisa a favor dessa comunidade”, e ressalta a importância do público LGBT poder reagir às ofensas diárias de apresentadores de TV, programas humorísticos de mau gosto ou religiosos que abrem campanhas de ataques ou ridicularizam nos meios de comunicação.
Já o tesoureiro da entidade, Manoel Zanini, reflete que por falta de ação nessa área o movimento LGBT e a Associação perdem oportunidades jurídicas importantes. “Com essa parceria os militantes e parceiros saberão que terão segurança para enfrentar qualquer espécie de discriminação perante a sociedade e os órgãos públicos”, conclui.



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